25 DE MARÇO - ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA NO CEARÁ A TERRA DA LUZ

DISCIPLINA: História
PROFESSOR: Wellington
DATA: 24/03/2015


Em 25 de março de 1884, exatos 129 anos atrás, o Ceará foi a primeira província brasileira a extinguir o sistema escravista em seu território, fato que lhe rendeu o título de "Terra da Luz", dado por José do Patrocínio, um dos maiores jornalistas do abolicionismo brasileiro. Até mesmo Victor Hugo, celebrado poeta francês, enviou da França as suas saudações aos cearenses.

A abolição da escravatura no Ceará ocorreu 4 anos antes da assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, que em 13 de maio de 1888 determinou a emancipação dos escravos em todo Brasil. 

É importante lembrar, que em termos de marcos históricos, foi a cidade de Acarape (atual Redenção) o primeiro núcleo urbano do Brasil a abolir a escravidão, em 1º de janeiro de 1883. Fortaleza faria o mesmo em 24 de maio do mesmo ano.

O pioneirismo do Ceará inflamou em todo território nacional o movimento abolicionista, incentivando várias outras províncias a seguirem seu exemplo e abolirem o regime escravocrata, porém, o fato da província cearense ter sido a precursora na abolição se deu devido a importantes fatores, sobretudo os de cunho sociais e econômicos: 

A ânsia por liberdade, sentimento comum a todos os escravos, não só no Ceará, mas em todo Brasil, que os impulsionou a não aceitarem resignadamente a subjugação, além do surgimento de diversas entidades abolicionistas, formada por intelectuais, estudantes, pessoas de todas as classes da sociedade, comerciantes e, inclusive, com apoio do próprio poder oficial.

Aliado a esses fatores, há que se considerar ainda, o pouco peso do negro na economia local, pois a estrutura produtiva local, fundada especialmente na pecuária, não absorvia a mão de obra em grande escala, como o fazia as províncias produtoras de cana de açúcar e café. 

Além disso, havia ainda as intempéries do clima cearense, que ocasionalmente fustigava a terra com longos períodos de seca, tornando os escravos uma sobrecarga de despesas aos senhores de engenho, que os vendiam para outras províncias ou simplesmente os libertavam, abandonando-os a própria sorte.

A escravidão e as privações que os negros enfrentaram não desapareceram de um dia para o outro, mas sim vem diminuindo gradativamente ao longo dos anos, fruto de muita luta e longas batalhas. 

As consequências da escravidão repercutem até os dias de hoje, prova disso são os constantes casos de discriminação racial, os altos índices de violência envolvendo a população negra, a dificuldade de acesso à educação, dentre outros.

A escravidão é um triste capítulo em nossa história, mas é a partir dos nossos erros que podemos nos corrigir e evoluir. Além disso, foi das amarguras da escravidão que nossa preciosa capoeira, além de ter forjado grandes homens, verdadeiros exemplos a serem seguidos e que nos inspiram até hoje. 

Pensar no abolicionismo cearense é lembrar obrigatoriamente de duas grandes personalidades:

Francisco José do Nascimento: mais conhecido como Chico da Matilde ou Dragão do Mar - símbolo da resistência popular contra a escravidão, Chico da Matilde, homem pardo de origem humilde, liderou um movimento junto com seus colegas jangadeiros, recusando-se a transportar as embarcações ancoradas no porto de Fortaleza escravos que haviam sido vendidos para as províncias do sul. Com essa atitude, tornou-se impossível embarcar ou desembarcar escravos na província do Ceará, fato que acirrou o movimento abolicionista local. 

João Cordeiro - principal líder do movimento abolicionista no Ceará, foi o fundador da Sociedade Cearense Libertadora e do jornal "Libertador" que propagava os interesses do movimento abolicionista cearense. Defensor da República, foi Vice Governador do Ceará, chegando a ser eleito como Deputado Federal e Senador.

CURIOSIDADE!

Em 25 de março é também uma data importante no Reino Unido, pois em 1807 foi aprovado o Ato Contra o Comércio de Escravos, que aboliu o tráfico negreiro no Império Britânico. 

Os britânicos começaram uma campanha contra o tráfico de escravos junto a várias outras nações e declararam que qualquer navio transportando escravos seria considerado pirata e sujeitos a serem destruídos e seus tripulantes capturados e sujeitos a execução.

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